Abril 1, 2025

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Máfia dos cabos eléctricos: 550 quilos apreendidos numa operação no Rio Save

 A vandalização da rede eléctrica e o roubo de energia estão a atingir proporções alarmantes em Moçambique, ameaçando o fornecimento de electricidade e gerando prejuízos incalculáveis para o país. 

A mais recente apreensão feita no posto de fiscalização do Rio Save, na Provincia de Inhambane, é um exemplo claro da sofisticação e ousadia dos criminosos: 550 quilos de cabos eléctricos despedaçados e queimados foram encontrados escondidos nas gavetas de um autocarro de transporte de passageiros, que seguia da Beira para Maputo.

As autoridades suspeitam que o material apreendido tenha sido retirado ilegalmente da rede de transporte de energia, um crime que, além de deixar populações inteiras sem electricidade, representa uma ameaça à segurança pública e ao desenvolvimento económico. 

O Ministério Público já está a investigar a origem e o destino final dos cabos, que até ao momento permanecem desconhecidos.

De acordo com Pompilio Xavier, magistrado do Ministério Público, os cabos eléctricos apreendidos apresentavam um padrão já conhecido pelas autoridades. Foram despedaçados e queimados parcialmente, uma técnica usada para disfarçar o crime e fazer parecer que o material foi descartado há muito tempo. O objectivo é evitar suspeitas e facilitar a venda no mercado paralelo.

As investigações apontam para a existência de um esquema organizado de roubo e comercialização de cabos eléctricos da rede nacional, que pode envolver desde pequenos ladrões até redes criminosas com ramificações em diversas províncias. 

As autoridades acreditam que os cabos são vendidos ilegalmente para empresas de reciclagem, que os fundem para reaproveitamento do cobre e outros metais valiosos.

O furto de cabos eléctricos não é o único problema que preocupa a Electricidade de Moçambique (EDM). De acordo com Fenias Ndimande, Director da Electricidade de Moçambique, na Província de Inhambane, o roubo de energia por meio de ligações clandestinas tornou-se uma prática comum e, em muitos casos, conta até com a participação de colaboradores da própria empresa.

Um dos exemplos mais chocantes foi registado na Cidade da Maxixe, onde uma empresa foi apanhada com oito pequenos sistemas de abastecimento de água a consumir electricidade ilegalmente. A fraude foi descoberta após uma fiscalização minuciosa, e agora o proprietário da empresa está a responder na justiça. Mas o caso tornou-se ainda mais grave quando as investigações revelaram que um colaborador da Electricidade de Moçambique facilitou a operação fraudulenta. O funcionário em causa acabou expulso da empresa e também está a ser processado judicialmente.

Segundo Ndimande, as perdas da Electricidade de Moçambique com o roubo de energia são gigantescas e comprometem a capacidade da empresa de prestar um serviço de qualidade. O Director da Electricidade de Moçambique, na Província de Inhambane, explica que, além de prejudicar a receita da empresa, essas ligações ilegais representam um risco de incêndios e descargas eléctricas que podem ser fatais. “Muitas dessas instalações clandestinas são feitas sem qualquer critério de segurança, colocando em risco a vida das pessoas”, alerta.

Diante da escalada dos crimes, o Ministério Público, o Director da Electricidade de Moçambique, na Província de Inhambane, e outras entidades governamentais estão a reforçar estratégias para identificar e punir os responsáveis pelo roubo de cabos e pela fraude energética. 

Magistrados, juízes e agentes de investigação criminal têm recebido formação específica para aprimorar as técnicas de deteção e repressão desses crimes, numa tentativa de travar uma prática que afecta tanto a economia quanto a qualidade de vida da população.

Mas o combate a esses crimes não pode ficar apenas nas mãos das autoridades. A denúncia por parte dos cidadãos é essencial para travar o roubo de cabos e de electricidade. 

Segundo as autoridades, muitas infracções poderiam ser evitadas se houvesse uma maior colaboração da população, que muitas vezes presencia situações suspeitas e opta por não reportar.

O impacto destas práticas criminosas vai muito além dos prejuízos financeiros. O fornecimento irregular de energia afecta hospitais, escolas, indústrias e milhares de lares moçambicanos, comprometendo o desenvolvimento do país. O alerta está dado: quem rouba energia não está apenas a lesar a Electricidade de Moçambique, mas a colocar em risco o futuro de Moçambique. Read More O País – A verdade como notícia

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